“Meu filho não come quase nada.”
“Só aceita os mesmos alimentos.”
“Se eu mudar a marca, ele percebe.”
“Frutas e verduras? Nem chega perto.”

Essas são preocupações comuns entre famílias de crianças com dificuldades alimentares. Em determinadas fases da infância, recusar alimentos ou demonstrar preferência por algumas preparações pode acontecer. Porém, quando a alimentação se torna muito restrita, causa preocupação ou transforma as refeições em momentos de tensão, é importante olhar para essa situação com mais atenção.

Seletividade alimentar não é simplesmente “frescura”

Uma criança pode recusar um alimento por diversos motivos. Sabor é apenas um deles.

Textura, cheiro, temperatura, aparência, forma de apresentação e até experiências anteriores com determinado alimento podem influenciar sua aceitação.

Em algumas crianças, especialmente aquelas com TEA, TDAH ou outras neurodivergências, características sensoriais, necessidade de previsibilidade e particularidades do desenvolvimento também podem interferir na relação com a comida.

Por isso, frases como “é só deixar com fome que ela come” ou insistir repetidamente para que a criança experimente podem não resolver o problema e ainda aumentar o desconforto durante as refeições.

Alguns sinais merecem atenção

É interessante buscar uma avaliação quando a criança apresenta um repertório alimentar muito limitado, elimina alimentos que antes aceitava, recusa grupos alimentares inteiros, demonstra forte desconforto diante de alimentos novos ou quando as refeições frequentemente terminam em choro, negociação, ansiedade ou conflitos.

Também é importante observar se as dificuldades alimentares estão interferindo no crescimento, no estado nutricional, na rotina familiar ou na participação da criança em situações sociais, como festas, escola, viagens e refeições fora de casa.

O primeiro passo é entender por que a criança não está comendo

O cuidado com a seletividade alimentar não começa obrigando a criança a comer.

Começa tentando compreender o que está por trás daquela dificuldade.

Na avaliação nutricional, são considerados o histórico alimentar, os alimentos aceitos e recusados, a rotina das refeições, crescimento e desenvolvimento, necessidades nutricionais, comportamento alimentar, possíveis características sensoriais e o contexto da família.

A família também faz parte do cuidado

Quando uma criança apresenta dificuldades para comer, toda a família pode acabar envolvida: preparar refeições diferentes, negociar cada colherada, preocupar-se com nutrientes ou evitar determinados passeios porque não sabe o que a criança conseguirá comer.

Por isso, o acompanhamento nutricional também deve oferecer orientação e suporte aos pais e responsáveis.

Mirian Roz – Nutricionista | CRN-3 43225
Nutrição Materno-Infantil • Seletividade Alimentar • Neurodivergências